Biografia

Patativa do Assaré - Biografia


Infância
Antônio Gonçalves da Silva, dito Patativa do Assaré, nasceu a 5 de março de 1909 na Serra de Santana, pequena propriedade rural, no município de Assaré, no Sul do Ceará. É o segundo filho  dos agricultores Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva. Ainda pequeno ficou cego do olho direito. Órfão de pai aos oito anos de idade, começou a trabalhar no cultivo da terra, para ajudar no sustento da família. Com pouco acesso à educação, frequentou durante quatro meses sua primeira e única escola e sem interromper o trabalho de agricultor, aprendeu a ler e escrever e se tornou apaixonado pela poesia. Logo começou a fazer repentes e se apresentar em festas locais. Antônio Gonçalves da Silva recebeu o apelido de Patativa pois sua poesia era comparada à beleza do canto dessa ave.


Juventude
Com vinte anos começou a viajar por várias cidades nordestinas e diversas vezes se apresentou na Rádio Araripe. Com uma linguagem simples porém poética, retratava em suas poesias, o árido universo da caatinga nordestina e de seu povo sofrido e valente do sertão. Viajou para o Pará em companhia de um parente José Alexandre Montoril, que lá morava, onde passou cinco meses fazendo grande sucesso como cantador. De volta ao Ceará continuou na mesma vida de pobre agricultor e cantador.

Reconhecimento Nacional e Obras
Sua projeção em todo o Brasil se iniciou a partir da gravação de Triste Partida em 1964, toada de retirante de sua autoria gravada por Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Foi casado com Belinha, com quem teve nove filhos. Teve inúmeros folhetos de cordel e poemas publicados em revistas e jornais e publicou Inspiração Nordestina (1956), Cantos de Patativa (1966). Figueiredo Filho publicou seus poemas comentados em Patativa do Assaré (1970). Gravou seu primeiro LP Poemas e Canções (1979) uma produção do cantor e compositor cearense Fagner. Apresentou-se com o cantor Fagner no Festival de Verão do Guarujá (1981), período em que gravou seu segundo LP, A Terra é Naturá, lançado também pela CBS. A política também foi tema da obra e de sua vida. Durante o regime militar, ele criticava os militares e chegou a ser perseguido. Participou da campanha das Diretas já em 1984 e publicou o poema Inleição Direta 84. No Ceará, sempre apoiou o governo de Tasso Jereissati, a quem chamava de amigo. Obteve popularidade a nível nacional, possuindo diversas premiações, títulos e homenagens (tendo sido nomeado por cinco vezes Doutor Honoris Causa). No entanto, afirmava nunca ter buscado a fama, bem como nunca ter tido a intenção de fazer profissão de seus versos. Patativa nunca deixou de ser agricultor e de morar na mesma região onde se criou Cariri no interior do Ceará.
Ao completar 85 anos foi homenageado com o LP Patativa do Assaré - 85 Anos de Poesia (1994), com participação das duplas de repentistas Ivanildo Vila Nova e Geraldo Amâncio e Otacílio Batista e Oliveira de Panelas. Tido como fenômeno da poesia popular nordestina, com sua versificação límpida sobre temas como o homem sertanejo e a luta pela vida, seus livros foram traduzidos em diversos idiomas e tornaram-se temas de estudo na Sorbonne, na cadeira da Literatura Popular Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel. Contava com orgulho que desde que começou a trabalhar na agricultura, nunca passou um ano sem preparar a sua rocinha, a não ser no ano em que foi ao Pará.
Quase sem audição e cego desde o final dos anos 90, o grande e modesto poeta brasileiro, com apenas um metro e meio de altura, morreu em sua casa, em Assaré, interior do Ceará, a 623 quilômetros da capital Fortaleza, aos 93 anos, após falência múltipla dos órgãos em consequência de uma pneumonia dupla, além de uma infecção na vesícula e de problemas renais. Patativa foi enterrado no cemitério São João Batista, na sua cidade natal.
Outros livros importantes de sua autoria foram Inspiração nordestina, Cantos de Patativa, Rio de Janeiro (1967); Cante lá que eu canto cá; Filosofia de um trovador nordestino, Editora Vozes, Petrópolis (1978); "Ispinho" e Fulô, SCD, Fortaleza (1988) e Balceiro, SCD, Fortaleza (1991); Aqui tem coisa, Multigraf Editora, Secretaria da Cultura e Desporto do Estado do Ceará, Fortaleza (1994) e Cordéis, URCA, Universidade Regional do Cariri, Juazeiro do Norte. Sobre ele foram produzidos os filmes Patativa de Assaré, Um poeta camponês, curta metragem documentário, Fortaleza, Brasil (1979) e Patativa do Assaré, Um poeta do povo, curta metragem documentário, Fortaleza, Brasil (1984).

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